Viver na Era das Redes Sociais

No mês em que se assinala o Dia Mundial das Redes Sociais vale a pena refletirmos sobre a sua importância na nossa vida. As redes sociais facilitam o contacto regular e a conexão entre as pessoas. A sua flexibilidade torna-as apelativas e, não raras vezes, irresistíveis para miúdos e graúdos. Podem representar um suporte importante na socialização e uma ferramenta útil de trabalho, contudo podem também funcionar como um obstáculo na gestão da vivência do quotidiano. Nos mais novos começa a haver pressão para se estar online 24 horas/dia, o que pode gerar um uso compulsivo, nomeadamente nos adolescentes, uma vez que é o grupo que revela maior dependência das redes. 

Nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão desconectados. 

A vida social através de um ecrã e de filtros é muito distinta da vida social ao vivo e a cores. É dinâmica, de consumo rápido e pode ser enganadora. Os conteúdos publicados podem mostrar uma realidade baseada num Eu ideal e não no Eu real. 

Atualmente, muitas são as pessoas que se encontram vinculadas à sua respetiva realidade virtual, nomeadamente os mais jovens. Canalizam muitas horas do seu dia a fazer publicações, têm o objetivo de ser influencers ou youtubers, ficando à mercê do número de “likes”. Estima-se que esta realidade ganhe cada vez mais espaço na vida de muitas pessoas.

 

 A utilização consciente e equilibrada das redes não revela um risco para a saúde mental, todavia o desafio é gerir este equilíbrio. Como fazê-lo quando a nossa vida está tão ligada às mesmas? 

 

Importa definir e clarificar qual é a nossa intenção ao utilizá-las para que o possamos fazer deforma consciente e sensata. Quando isso não acontece podemos iniciar uma relação de dependência, o que pode impactar negativamente na saúde psicológica. O reflexo negativo manifesta-se quando fazemos uma gestão pouco equilibrada da vida online com tempo de exposição excessivo, acentuada necessidade de autoafirmação e validação externa, comparações recorrentes ou uma partilha exagerada da vida privada. Dados recentes mostram que o uso excessivo pode mesmo estar relacionado com o aumento de depressão e ansiedade. 

 

Impacto das redes sociais no bem-estar psicológico: 

A partilha nas redes sociais pode representar uma competição, ainda que silenciosa, em prol da validação do outro. Fotografias alusivas a estados de constante felicidade, conquistas frequentes e uma ilusória busca pela perfeição podem ter consequências nefastas na saúde psicológica de quem vê. Cria-se facilmente uma representação idealizada acerca da vida dos outros em detrimento da vida do próprio. As pessoas que não partilham do mesmo estilo devida, que não têm tantos “likes” podem aceder a sentimentos de inferioridade, insegurança e frustração. Há o risco da auto-estima ficar sobretudo dependente do exterior, em vez de ser auto regulada. 

 

Se por um lado, o seu uso promove a conexão entre as pessoas e pode ser um trampolim para novas amizades, por outro lado, o excesso de interações virtuais pode ampliar a sensação de solidão, gerando mais isolamento. 

 

A quantidade de estímulos, vídeos, fotografias, informações e opiniões podem refletir-se na qualidade dos nossos pensamentos. Ao contemplar a vida dos outros através dos ecrãs podemos auscultar a sensação de estar a perder experiências importantes ou de não estar a desfrutar da vida. Pode surgir a sensação de que não temos a relação ideal, a família perfeita, um corpo incrível, não fizemos aquela viagem impactante. Podemos também sentir uma pressão interna para o fazer e ter que o mostrar ao exterior, sob pena de “não ter acontecido” ao não ser partilhado.

 

O Ser Humano tem uma zona de permeabilidade à perturbação psicológica, deste modo, o consumo excessivo das redes pode abrir espaço para quadros de ansiedade e/ou depressão, podendo potenciar a sensação de que estamos a falhar, de que temos que fazer mais e melhorou mesmo que temos de provar alguma coisa a alguém.

 

5 Dicas para a utilização saudável das redes sociais:

 

- Identificar o gatilho: importa ter consciência do gatilho que gera o consumo das redes sociais. O uso excessivo é um marcador de necessidades que podem estar por preencher. De forma a não entrar numa espiral de excessos há que identificar em que momentos há mais necessidade de se ligar às redes.

 

- Viver mais offline/fazer um detox virtual: Quando estiver com amigos ou família vale a pena estar realmente presente, com atenção plena ao momento. Dar preferência a atividades que facilitem uma pausa nas redes como passatempos ao ar livre ou colocar o corpo em movimento. Viver a vida em verdade de dentro para fora.

 

- Desenvolver uma atenção de qualidade: Há que privilegiar primeiro a experiência e, caso faça sentido, partilhá-la apenas depois. Pode ser bom registar alguns momentos, contudo vale a pena fortalecer o músculo da atenção para sair do modo automático que o impulsiona a registar e publicar tudo. Importa deixar ir a pressão externa que o convida a expor a vida constantemente, podendo naturalmente fazê-lo em determinadas situações e divertir-se com isso, porém que o foco não seja corresponder às expectativas dos outros.

 

- Monitorizar o tempo de acesso: Estabelecer horários para se conectar e desconectar. Desativaras notificações sonoras e visuais bem como deixar o telefone longe do quarto pode ser uma medida simples, porém pode fazer toda a diferença na redução do stress e ansiedade, ajudando o a canalizar o tempo para outras atividades úteis e prazerosas.

 

- Dedicar tempo à higiene mental: Abraçar práticas que convidem à conexão com o mundo interno e com a essência, como mindfulness, meditação e relaxamento. Importa assim sublinhar que conectados temos um mundo de possibilidades, porém é necessário um bom balanceamento para que o nosso bem-estar não fique comprometido. Há que viver o bom das redes sociais mas aproveitar sobretudo a vida!

Helena Paixão, Revista Zen Energy edição nº 149 Junho 2021

Juntos por mudanças conscientes